3 de setembro de 2018

Não metam medos às crianças


Certamente todos nós nos lembramos de um qualquer medo que vem desde a nossa infância e que nos fez ao longo do nosso vasto percurso ter algumas cautelas extras. Os meus pais, por exemplo, sempre me meteram medo com os ralos das piscinas e, por isso, eu evitava a todo o custo passar por perto com medo que eles se soltassem e que me sugassem. 

Como este muitos são os medos que os pais incutem aos filhos numa tentativa de os alertar para os perigos  "não subas à árvore porque podes cair e partir uma perna, um braço, a cabeça, ou até ficar para sempre numa cadeira de rodas"; "não engulas a pastilha elástica porque se não vais ter que ir para o hospital"; "porta-te bem se não o polícia leva-te"; são apenas alguns dos muitos medos que diariamente muitos pais incutem às crianças sem se aperceberem realmente da sua dimensão. Dependendo da criança, da forma como as coisas são ditas e a frequência do alerta este ato irrefletido pode causar danos tais como, ter medo de arriscar e correr pequenos riscos, ter medo irracional de polícias, ciganos, hospitais, etc.

Uma história...


Durante a semana passada estava a aproveitar uma bela tarde de sol nas piscinas municipais, até que, bem próximo da hora do fecho vejo uma senhora a correr em direção à nadadora salvadora em pânico a pedir ajuda porque o marido tinha acabado de partir a cabeça. Entre a azafama de chamar o 112 e perceber como é que o senhor estava dei conta que o casal estava com a filha de 6 anos. A menina chorava e tremia por todo o lado, era sem sombra de dúvida que estava mais em pânico. Peguei nela ao colo e afastei-a do que se estava a passar e a pequena só dizia que o pai nunca mais ia voltar para casa, que ia ficar para sempre no hospital e perguntava repetidamente o que ia ser dele. Apertei-a com força numa tentativa de consolo e disse que estava tudo bem, que as crianças também partem muitas vezes a cabeça e que ficam bem, que isso já me tinha acontecido e estava bem. O pai dela estava bem! E realmente estava, não perdera os sentidos, apesar de abalado caminhara e tudo não ia passar de um susto.

Claro que nesse e nos dias que se seguiram não conseguia deixar de pensar na criança e na quantidade de vezes que alguém lhe deve ter posto medo em relação a saltar para a piscina ou algo semelhante...

Por Favor, não metam medo à crianças! 
Expliquem os riscos com objetividade e fomentem a curiosidade! 

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